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Coragem no púlpito

Por Marcell Pereira Pinto*


Infelizmente vivemos em uma época em que convicções próprias tem sido mais prioritárias do que o Evangelho, quando se fala de pregação, de púlpito e de culto.


Um desejo assoberbado de ser influenciador está fazendo com que os pregadores modernos invistam mais em técnicas para elevar o emocional do que no Evangelho para a transformação, gerando um resultado de momentos de alegria e não uma mudança radical de vida.


Esses momentos têm prazo de validade: fazem com que pessoas concordem com o Evangelho, mas não despertam o desejo de vivê-lo. Além disso, é necessário, de tempo em tempo, aplicar-lhes uma injeção de ânimo, pois o êxtase do último culto, rede de jovens ou do show gospel já passou.


A coragem pastoral tende a ser contagiosa e exemplos de pastores fiéis que se recusaram a comprometer a Palavra de Deus mesmo em face de grandes pressões são dignos de estudo por qualquer homem que deseja permanecer humildemente corajoso no cumprimento de sua responsabilidade pastoral.

Charles Spurgeon: exemplo de coragem no púlpito (Foto: Reprodução)

Um dos mais notáveis exemplos de tamanha coragem é Charles Spurgeon. Embora ele seja justamente lembrado por muitos feitos maravilhosos e por traços pessoais, é seguro dizer que se ele não tivesse sido corajoso em sua pregação, muito provavelmente seus sucessos teriam sido grandemente diminuídos.


Diferente de Spurgeon, muitos pregadores hoje são influenciados por doutrinas da

“vizinhança”, quantidade de palmas durante uma palestra ou até o modelo de discurso que faz a maior quantidade de pessoas levantar as mãos, ir a frente ou repetir uma oração de arrependimento e de aceitação.


Precisamos mais do nunca sermos fiéis à Palavra de Deus ou até mesmo sermos julgados como grosseiros, do que andar em sintonia com o espírito desse tempo e comprometer a mensagem da Palavra de Deus em qualquer ponto.

É preciso ter coragem para carregar o Evangelho da forma como ele é. Muitas vezes é um caminho solitário, que rende zombaria, incredulidade, desânimo, cansaço, mas nunca o peso da mentira e de traição a JESUS CRISTO.


Não temos público alvo, estratégia, jeitinho ou convicções humanas para satisfazer os ouvintes e sim as Escrituras como a única exposição para o conhecimento de Deus. Ela é infalível.


O Evangelho que foi protegido e confiado a nós por um alto preço é digno de tal coragem da parte daqueles que devem ministrá-lo.


*Marcell é seminarista da Faculdade de Teologia Reformada Genebra (Faterge) e vocalista do grupo Tetelestai