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  • Holy Raps

Deus é seu mordomo?

Por Marcell Pereira Pinto*


No último dia da criação “disse Deus: Façamos o homem, à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26), e assim foi feito!


No decorrer do versículo é claro observarmos que a partir da imagem e semelhança de Deus à qual fomos criados, também fomos capacitados a governar toda sua criação. Isso define um relacionamento peculiar com Deus, pois com essa particularidade quanto a ser vivente somos capazes de absorver os atributos de comunicação de Deus (Rm 8:29; Cl 3:10; Tg 3:9), herdando ainda a vida racional, uma exclusividade do ser humano que inclui o intelecto, vontade e sentimentos.


Após a entrada do pecado no mundo, todos esses valores têm sido invertidos e mal utilizados. Chegamos nos dias atuais, na instituição Igreja contemporânea, e o que vemos é uma inversão de identidade. Muitos hoje estão criando um deus à sua própria imagem e semelhança: um deus que não condena; um deus que aceita todo erro; um deus que mesmo praticando o pecado de segunda à sábado e indo somente aos domingos à congregação faz “vista grossa” aos feitos da semana; um deus que se importa mais com seu dízimo do que com sua vida. Um deus que na verdade não existe, pois o Senhor é fiel em cumprir seus decretos e propósitos, sendo sua Palavra imutável.


A criatura hoje tenta a todo custo dominar seu Criador, dando a impressão e a convicção de que Deus ainda não se converteu à vontade dele, e que o Deus Todo-Poderoso e Soberano tem que atender a seus caprichos e vaidades.


Muitos líderes cristãos e muitas Igrejas têm aderido a esse modelo de pregação egocêntrica e de autoajuda que nada mais é do que uma forma de estimular a ganância e vontade da natureza humana. É como se Deus fosse apenas um mordomo; Jesus, um entregador de recados; o Espírito Santo uma emoção e a Bíblia um adereço.


Para agravar essa situação, sempre são utilizados versículos bíblicos fora de contexto para sustentar a ideia inicial. Lamentável!


Irmãos, que possamos voltar ao verdadeiro Evangelho. Que possamos ser o mais próximo possível da imagem e semelhança de Deus, assim como Jesus Cristo fez ao assumir sua forma humana, e em obediência ao Pai padeceu por nossos pecados (Fl 2:8). Que Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, venha nos capacitar a cada dia a assumir nosso papel de miseráveis e entender que Deus não está disponível para fazer nossas vontades e sim aquilo que já tem determinado para nós desde a fundação do mundo.


*Marcell é vocalista do grupo Tetelestai e seminarista da Faculdade de Teologia Reformada Genebra (FATERGE).