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Fé não é barganha

Por Marcell Pereira Pinto*


Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual obtivemos também acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus (Rm 5:1-2)


Somente a fé ou “Sola Fide” é um dos pilares do protestantismo, mas antes de explicar o que significa essa afirmação iremos falar o que NÃO define fé.


Em nossa atualidade vemos que a fé está sendo comercializada por muitos, e muitas vezes é uma crença barata, em virtude da má interpretação das Escrituras. Assim como na época de Lutero, quando se vendiam indulgências em troca do “favor” de Deus, muitos fazem hoje, querendo “vender” que não se pode comprar por meios próprios.


Vejamos um dos versículos mais mal interpretados, utilizado de forma manipuladora: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6). Apesar de estar escrito “agradar” isso não demonstra uma insatisfação de Deus para conosco, e aqui nos pegamos em um grande erro que é julgar os sentimentos de Deus conforme os nossos.


O que realmente as Escrituras nos ensinam aqui é que esse “agradar” é o seu eleito se dispor a Deus, sabendo que é justificado por Cristo através da fé. Não significa negociar ou mercantilizar esse dom, que é dado pelo próprio Deus (Ef 2:8). Infelizmente muitos líderes religiosos têm se aproveitado dessa errônea interpretação para levar “seus rebanhos” a um ativismo religioso em busca de agradar a Deus, ou seja: caso Deus esteja satisfeito, seremos recompensados. Desse modo começa a se aflorar cada vez mais um interesse por Deus, mas de maneira equivocada, buscando apenas benefícios (Hb 10:38-39).


Antes de reivindicar seus direitos entenda suas obrigações


Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da Igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do Evangelho como a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas desaparecem, se divorciam do trabalho do ministério e reduzem a fé cristã aos princípios do marketing que oferece sucesso às empresas seculares. Não existe Evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, no qual Deus imputou a Ele o nosso pecado e nos imputou sua Justiça.


Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo.


A base não é nosso patriotismo, devoção à Igreja, ou probidade moral. O Evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo, não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.


Reafirmamos que a justificação é somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo e isso é dom de Deus. E dom é algo que não é nosso, mas nos foi dado.


*Marcell é seminarista da Faculdade de Teologia Reformada Genebra (Faterge) e vocalista do grupo Tetelestai