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O Cortejo da Vida

Por Lorraina Moraes*


“E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva, e com ela ia uma grande multidão...” (Lucas 7:12).


Hoje quero falar sobre a história de uma mulher que residia numa aldeia chamada Naim. Não sabemos detalhes dessa história, mas os registros nos dão uma certeza: ela era uma viúva.


Como toda viúva da época, passou por momentos de solidão, pobreza e discriminação por parte da sociedade. As Escrituras advertem sobre a importância do amparo às viúvas. Elas não estavam desprovidas de tudo, mas não deixavam de ser uma classe menos favorecida.


Apesar do luto e da perda, ela ainda se agarrava à sua única esperança, que era o seu primogênito.


Naquela época, na ausência do pai, em caso de falecimento, o Filho seria o sucessor e provedor de sua casa. Segundo o costume judaico, quando o chefe de família morria, o filho da viúva herdava não só os bens, mas toda dívida e obrigações do falecido.


Mas, independente dos bens e das dívidas herdadas, eles estavam vivos e juntos. E isso era o que importava. Apesar de tudo, ainda restava a chance de reconstruir a vida juntos.


Porém, aquela mulher não sabia o que viria pela frente...


Mais uma vez ela se via em um funeral, e dessa vez, enterraria seu único filho.


Enterrar um ente querido é uma dor inexplicável. Ela já havia perdido o marido e agora sua “última esperança”, sua chance de recomeçar.


Posso imaginar aquela mulher velando o corpo de seu filho aos prantos. A despedida, a retrospectiva de tudo que viveu até ali, a lembrança do funeral do marido... E, agora, vivenciando mais um enterro.

Junto com ela, uma multidão de pessoas participavam do funeral. Entre passos lentos e pesarosos existia uma única certeza: a “esperança” da viúva também seria enterrada.


Havia um contraste nesse cenário, pois, do lado oposto vinha uma multidão, juntamente com Jesus. Eles retornavam de Cafarnaum, onde Jesus havia operado vários milagres. De um lado uma marcha fúnebre e do outro uma multidão de pessoas jubilosas.


Jesus, ao se deparar com aquela multidão, fixou seu olhar naquela mulher.

E disse: “Não chores”.


Até eu indagaria: “Como assim, ‘não chores’?”. Afinal, estamos falando de uma mulher com um histórico de perdas severas, e em pleno funeral, no qual iria enterrar seu único filho. Não fazia sentido aquela frase.


Mas uma coisa te digo: não foi qualquer voz que disse isso, foi o próprio Cristo, o Autor da vida. Ele poderia ter lastimado a morte do menino, se dirigido diretamente ao esquife (ou caixão). Entretanto, Ele se dirigiu diretamente àquela mulher, e se moveu de íntima compaixão por ela.



Em meio à dor, Deus sempre se dirige a nós com consolo e misericórdia.


Posso imaginar a multidão que vinha com Jesus. Um semblante de alegria que deu lugar à comoção com a situação. O que seria mais um milagre para Jesus? Para alguns seguidores, motivo de júbilo; mas para aquela mulher, a chance de recomeçar.


“E chegando-se, tocou o esquife (e os que levavam pararam), e disse: “Jovem, a ti te digo, Levanta-te”. E o defunto sentou e começou a falar. (Lucas 7:14).


Mas o que essa mensagem nos ensina?


Sabe, ainda que soframos perdas, ainda que vivamos momentos de sofrimentos, de desesperança e desespero, nada foge do controle do nosso Pai. Por mais que você não compreenda as circunstâncias, Deus tem um propósito e um tempo para cumpri-lo.


Lembro-me de um outro relato de ressurreição, quando Lázaro morreu e Jesus foi questionado por Marta: “Se o Senhor estivesse aqui, nada disso teria acontecido” (João 11.21). Não podemos limitar o agir de Deus, nem questioná-lo. Pois Ele é Deus soberano, mas também é o Deus do impossível!


Quero te dizer que não importa o tamanho da sua dor, Deus pode ressuscitar o que já morreu. Sei que algumas perdas são insubstituíveis, mas Deus te diz : “Não chores”. Ele se move de íntima compaixão, entende nossos temores e sente as nossas dores.


Por isso, permita-se sair do luto. Davi, quando viu que não havia mais o que fazer após ter perdido seu filho, decidiu sair das cinzas, se levantou e vestiu suas vestes reais. Ele decidiu sair daquele estado de luto.


Talvez você se pergunte: “Mas eu não perdi nenhum filho, ou marido... o que essa palavra tem a ver comigo?”


Deus não restituiu apenas a vida daquele jovem, mas as esperanças, o riso, a alegria de viver daquela mulher. E deu a ela um novo recomeço.


Talvez é isso que tenha morrido em você: sonhos, alegria, esperança, ânimo, fé... ou algo que não foi citado aqui.


Mas, hoje mesmo, entregue isso nas mãos do Senhor e saiba que mesmo no meio da multidão Ele te vê e sabe a hora certa de agir. Apenas Creia!


*Lorraina é coordenadora do Projeto Rei das Ruas e rapper

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