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Os discípulos não são seus

Por Marcell Pereira Pinto*


Todas as ordens de Jesus são importantes mas nenhuma é tão contundente, amorosa, empolgante, entre outras características, quanto o “ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28.19).


Sabemos que esse “ide” está relacionado aos gerúndios indo, caminhando, avançando - ou seja, a ação contínua - e não a uma implicação de ir até determinado ponto ou lugar onde, assim que chegar, já não é mais válido. O ide não se refere a um ponto físico ou fixo e sim moral e ético do viver Cristo em nós (Gl 2:20).


Com base na autoridade de Cristo os discípulos foram enviados a fazer “ discípulos de todas as nações”. A segunda palavra do versículo 19, “...portanto...”, apresenta o “fim” de um vasto ensinamento que Cristo proporcionou aos seus discípulos nos 27 capítulos anteriores. O “portanto” também significa o início do “ide”, que é a Grande Comissão enviada pelo nosso senhor Jesus Cristo.


Mas o ponto em questão que quero falar está no “fazei discípulos”. Essa declaração que se tornou tão comum hoje no meio evangélico, na maioria das vezes não tem apresentado o teor de Cristo em suas citações.


Primeiro, o “fazei discípulos” hoje se tornou fazer pessoas parecidas com seus líderes, no sentido de que falam igual, se vestem igual, têm as mesmas gírias e bordões gospel, etc. E isso não é ser discípulo, pois o que Cristo nos mandou foi fazer discípulos dEle, do próprio Jesus, e não dos líderes religiosos ou de algum líder que admiramos. Ou seja: ninguém tem discípulo. O discípulo é de Cristo Jesus, com as ações, coração e principalmente a mente do nosso Senhor (1 Co 2:12-16).

O outro ponto é que estão confundindo “discipular” com “adestrar”, ou seja, muitas pessoas estão respondendo a uma voz de comando (levanta, senta, erga as mãos , bata palmas, etc..) e não tendo suas vidas transformadas baseadas nos ensinamentos de Cristo. Esse “adestramento” em massa tem feito com que a igreja adoeça cada dia mais e que o Evangelho genuíno e puro seja uma ameaça eminente a esses encantadores de multidões.


Diante disso, precisamos ficar atentos a tudo o que as Escrituras já vêm nos alertando há anos (2 Tm 4:1-5), pois a maquiagem das igrejas, dos líderes, pastores, apóstolos, etc. soa muito convincente e eficiente por algum tempo, mas não traz transformação em nossa sociedade. Ao contrário, robotiza e mecaniza convicções vindas de “obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1 Tm 4.1-2).


Deus tem levantado seu povo, chamado seus eleitos, aqueles que vão responder com fidelidade, amor e responsabilidade. Devemos reagir e nos posicionar contra tudo e todos que estiverem fora da estrutura das Escrituras, sendo ela nossa única base registrada de como devemos nos portar.


Que a graça e a paz do senhor Jesus Cristo seja conosco!


*Marcell é seminarista da Faculdade de Teologia Reformada Genebra (Faterge) e vocalista do grupo Tetelestai